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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Um Centro diferente - 2

(continuação)
Octávio Caúmo
Por Octavio Caúmo Serrano

   Apesar de haver rigor na disciplina, não me pareceu exagerado. Afinal, somos adeptos  de Kardec, um homem absolutamente disciplinado e rigoroso e de Chico Xavier e Emmanuel, o mentor que recomendou ao médium que a disciplina era prioridade absoluta em qualquer trabalho.
   Como cristãos, lembramos da passagem de Jesus em que ele censurava os fariseus, quando Pedro, preocupado com o rigor das palavras, ficou temeroso que todos fossem embora. No entanto, Jesus disse a Pedro que eles poderiam ir quando quisessem! E mesmo ele, Pedro, se desejasse também podia ir com eles.
   De Jesus, lembramos também que ele expulsou os vendilhões do templo, embora, infelizmente, todos eles hoje estejam de volta nos diferentes templos, dos diferentes lugares, nas diferentes doutrinas.
   Diz-se no Espiritismo que a qualidade é mais importante do que a quantidade. No tal centro que eu fui, penso que eles também acham isso, já que são tão rigorosos.
    O Centro não estava vazio. O público, para o tamanho do salão, era até razoável. Ocupava de sessenta a setenta por centro das cadeiras. Sentados um ao lado do outro. Mas nada vi que desabonasse ou se caracterizasse como a falta de caridade insinuada pelo meu amigo. Com desejo de conhecer melhor, voltei na semana seguinte e perguntei que outros benefícios o Centro me oferecia além da palestra. A mesma recepcionista repetiu o que já havia explicado na reunião anterior e disse que eu poderia passar pela entrevista. Pareceu-me boa oportunidade para perguntar sobre algumas coisas que para mim não ficaram muito claras. Deu-me uma ficha, sentei-me no salão e aguardei a vez.
    No atendimento fraterno, nome que se dá a essa conversa ou orientação espiritual, perguntei a entrevistadora:
        - Por que temos de sentar um ao lado do outro e não no lugar que mais nos agrade?
        Após alguns preâmbulos, explicou que é para que as pessoas possam ficar descontraídas, meditar e ler, sem ser incomodadas pelo que chega depois. Como todos vão sair no mesmo horário, isso não faz diferença. Se o que vem primeiro senta na beirada, os outros irão incomodá-lo. Melhor sentar na primeira cadeira vaga e os outros logo em seguida. 
        Pareceu-me razoável.
         E por que fecham a porta ao iniciar a reunião? - foi minha pergunta seguinte.
         Para que os trabalhadores também possam assistir à palestra sem ter de ficar à disposição do que chegam habitualmente atrasados, e só querem receber o passe, e para que os retardatários não incomodem os que são pontuais nem perturbem o raciocínio do palestrante. Há os que imaginam que se vierem na última hora para receber o passe terão todo o atendimento de que precisam. Desconhecem que a palestra ensina e liberta encarnados e desencarnados que convivem e têm comprometimentos conjuntos.
         Depois da explicação pareceu-me que é uma forma de respeitar o próximo...
     E por que não se pode conversar, antes de começar a reunião propriamente dita, baixinho e discretamente?
         - Porque tão loco adentramos o Centro, os espíritos já estão cuidando de nós e também nos usando para ajudar quem precisa mais. Eles trabalham o tempo todo e não como nós, só com horário marcado.  E a química e a manipulação dos fluidos é algo que ainda desconhecemos. Ademais, as conversas jamais seriam sobre o Evangelho ou a Doutrina e sim sobre os problemas que ficaram do lado de fora. A reunião espírita é uma  pausa na correria do dia-a-dia. É momento para serenar-nos.
         Nunca havia pensado desa forma, mas agradeci pela explicação. Quanto às roupas nem perguntei, porque concordo que paca cada lugar temos de usar a vestimenta própria. E se falamos de espíritos inferiores, tanto nós como os desencarnados, a sensualidade não nos ajuda a libertar-nos do atraso. É algo elementar e bem fácil de entender.
           Como os rigores de que falou o meu amigo não me incomodaram nem invalidaram o trabalho que eles fazem, creio que eles têm o direito de dirigir a casa conforme desejam os responsáveis. Se no movimento espírita diz-se que o dirigente é o guardião da doutrina dentro do Centro e que a causa é mais importante do que a casa, faz sentido o jeito como eles administram a instituição.
             Logo que sai da entrevista, lembrei-me do orador José Raul Teixeira. Ele prega que não devemos trazer para o centro Espírita os hábitos da rua, mas levar para a rua o que aprendemos no Centro Espírita. Só assim ajudamos melhorar a sociedade.
             Tenho voltado ao Centro, apesar de radical, pois me sinto bem enquanto estou dentro das suas quatro paredes. Respira-se disciplina e harmonia e já estou até me habituando às normas da casa.
               Como tenho aprendido muita coisa, vou ficando por ali."
(Publicado na RIE - Revista Internacional de Espiritismo, de Novembro de 2006) 

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